Fichamento da parte: "A - Domínio Público" do livro Lições de Arquitetura, do Herman Hertzberger


Fichamento da parte: "A - Domínio Público" do livro Lições de Arquitetura, do Herman Hertzberger


1. Público e Privado

  • Uma área pública seria acessível a todos a qualquer momento;
  • Uma área privada seria acessível a um pequeno grupo ou apenas uma pessoa;
  • Os conceitos de público e privado referem ao aceso, à responsabilidade, à relação entre a propriedade privada;

2. Demarcações Territoriais
  • Um espaço pode ser classificado como público ou privado, dependendo do grau de acesso, 
  • Uma escola por exemplo, as salas de aulas são priadas em comparação ao pátio;
  • Em alguns espaços, o grau de acesso é uma questão de leis, mas também pode ser uma questão social;
  • Ex. Edifício de Escritórios Centraal Beheer;
  • O grau de acesso determina, em sua maioria, as formas, os materiais, a articulação e a escolha das razões arquitetônicas;

3. Diferenciação Territorial
  • A separação do acesso público às diferentes áreas resulta em uma "diferenciação territorial"
  • Essa diferenciação mostras as demarcações das áreas e a quem vão ser destinadas, além da divisão da responsabilidade;

4. Zoneamento Territorial
  • O caráter de um espaço depende de quem o organiza, de quem é responsável por ele;
  • Um exemplo é a Faculdade de Arquitetura do MIT, Cambridge, USA, em que os estudantes construiram o tipo de espaço que queriam, no qual podiam trabalhar, comer,dormir;
  • O usuários podem influenciar um espaço dependendo do grau de acesso, dasdemarcações territoriais;

5. De Usuário a Morador
  • A tradução dos conceitos de público e privado, faz com que o arquiteto decida onde é possível que os habitantes/usuários, possam dar sua opinião, fazendo com que os usuários tornem-se moradores;
  • Ex: Escola Montessori, Delft, onde os alunos junto com a professora decide como vai ser a aparência terá o lugar;
  • Tanto o indivíduo quanto um grupo precisa de um espaço seguro;

6. O “Intervalo”
  • A soleira fornece uma transição entre locais com demarcações territoriais diferentes 
  • Um exemplo é uma criança sentada no degrau em frente a sua casa, sendo assim, ela está ao mesmo tempo sentindo- se em casa como na rua;
  • A soleira como intervalo significa a criação de um espaço para boas vindas e despedidas;
  • Além da soleira, as entradas, alpendres também fornecem a ideia de acomodação;

7. Demarcações Privadas no Espaço Público 
  • O intervalo funciona para apagar a divisão de áreas com demarcações territoriais diferentes;
  • A questão está em criar espaço que seja intermediário, que seja ao mesmo tempo público e privado;
  • Exemplo: De Drie Hoven, Lar para Idosos, em que os corredores servem como ruas num edifício, e as habitações também fazem parte da rua;
  • Ao incorporar as sugestões em um projeto, os moradores se sentem mais inclinados a expandir a sua influência no espaço público, fazendo com que a qualidade desse espaço aumente;
  • Uma área onde os seus moradores estão envolvidos, onde suas particularidades individuais são criadas por eles mesmo, é transformado em um espaço comunitário;

8. Conceito de Obra Pública 
  • Ao fazer com que a comunidade se sinta responsável por um espaço público, faz com que cada pessoa contribuam para o ambiente de forma que possa se relacionar e se identificar com o espaço;
  • Apesar de pensado para o bem- estar de todos, o sistema acaba subordinando as pessoas.
  • As obras públicas são vistas como algo imposto e distante, levando o cidadão comum a sentir que não faz parte disso, gerando um forte sentimento de alienação;
  • As vezes as melhores intenções pode levar a indiferença e a desilusão;
  • Os problemas surgem quando a escala cresce demais e a comunidade deixa de cuidar diretamente do espaço. A gestão passa então a depender de equipes especializadas, que acabam criando seus próprios interesses e prioridades, muitas vezes focados em manter e até ampliar essa estrutura;
  • A responsabilidade individual se dilui numa burocracia pesada, tornando as ações das pessoas distantes e pouco significativas. Isso faz com que os habitantes das cidades se sintam estranhos em seu próprio espaço, pois a participação real é subestimada. Mesmo sem se importarem muito com o que está fora de casa, eles não conseguem ignorar esse entorno, o que gera afastamento tanto do ambiente quanto dos vizinhos;
  • O controle cada vez maior gera um ciclo de rigidez, medo do caos e falta de participação, contribuindo para a destruição de espaços públicos e para a alienação das pessoas. Tudo é tratado como simples manutenção, enquanto o sistema reforça a necessidade de controlar tudo, reduzindo cidadãos a subordinados. Assim, apesar de afirmar representar o povo, ele dificulta a criação de um ambiente realmente acolhedor;

9. A Rua
  • Seria fatal para um planejamento urbano, de que o mundo depois de nossa porta é hostil;
  • A desvalorização do conceito de rua pode ser causada pelos seguintes fatores: O tráfego de veículos aumentou e passou a dominar o espaço urbano; Os acessos às moradias ficaram impessoais — com elevadores, galerias e passagens internas — reduzindo o contato das pessoas com a rua; A rua perdeu sua função de espaço comunitário devido ao modo como os blocos habitacionais foram planejados; Há menos moradores por unidade e mais espaço por pessoa, o que deixa as ruas muito mais vazias do que no passado, além de fazer com que as pessoas fiquem mais dentro de casa; Com melhores condições econômicas, as pessoas dependem menos dos vizinhos e passam a fazer menos coisas em conjunto;
  • O conceito de rua de convivência está baseada na ideia de que os moradores emalgo em comum, entretanto esse afinidade parece diminuir com o aumento da independência proporcinada pela prosperidade;
  • Em bairros residenciais, deve da a rua qualidadde para que alí sejam feitas atividades importantes para a comunidade;
  • A rua também pode ser o lugar para a realização de atividades comunitárias;
  • A qualidade das casas e da rua são complementares;

10. O Domínio Público
  • Se as casas são domínio privados, a rua é domínio público;
  • Deve dar atenção as casas e ruas da mesma forma, de modo que a rua possa servir para outros objetivos além do trânsito;
  • A rua sempre foi o palco de ações, festas e transformações sociais. Ao longo da história, os arquitetos moldaram o espaço público para atender às necessidades reais da comunidade;
  • Uma rua ou praça é bonita não só por suas formas, mas por como se integra e funciona na cidade. Mesmo que o espaço ajude, é essa relação com o conjunto urbano que realmente interessa a arquitetos e planejadores;

11. O Espaço Público como Ambiente Construido
  • No século XIX, os edifícios públicos — financiados pela própria comunidade — moldaram a base da cidade. Esses exemplos mostram como certas soluções arquitetônicas podem tornar os espaços mais acolhedores e agradáveis hoje;
  • Um exemplo é a "estação de água" com fontes naturais, como Vichy, na França;
  • A Revolução Industrial criou um mercado de massa e acelerou produção e distribuição, dando origem a lojas de departamento, exposições, mercados cobertos e grandes redes de transporte. Com trens, metrôs e melhor circulação, o turismo também cresceu rapidamente;
  • O turismo é a razão mais importante para o intercâmbio social;

12. O Acesso Público ao Espaço Privado
  • Mesmo com horários restritos, grandes edifícios públicos ampliaram significativamente os espaços de convivência. As galerias comerciais, surgidas no século XIX, criaram rotas de pedestres e vitrines protegidas, abrindo novas formas de circulação e atração de consumidores;
  • O conceito de galeria contém um novo princípio de acesso na qual a fronteira entre o público e privado é deslocado;
  • A qualidade dos espaços das ruas e dos edifícios relacionam entre si;


Relação entre Hertzberger e Flusser

Na primeira parte de “Domínio Público”, Hertzberger defende uma arquitetura de caráter participativo, que reconhece o espaço como um agente essencial na articulação das relações sociais.

Segundo o autor, o valor social da arquitetura manifesta-se em sua capacidade de propiciar interações significativas, fortalecer vínculos coletivos e construir um senso compartilhado de pertencimento e identidade comunitária.

Tanto Herman Hertzberger quanto Vilém Flusser abordam o projeto como uma prática de impacto social, capaz de interferir nas dinâmicas entre as pessoas e o ambiente — seja por meio da arquitetura ou do design.Os dois autores contestam a ideia de que projetar se limita à função utilitária, propondo uma reflexão sobre como o ato de conceber espaços e objetos pode redefinir modos de vida, relações e experiências no cotidiano.

Para Hertzberger, o espaço arquitetônico atua como um elo entre o indivíduo e a coletividade. O domínio público representa o cenário em que as pessoas se reconhecem umas às outras, compartilham experiências e constroem um senso comum de pertencimento.Nessa perspectiva, o papel do arquiteto é conceber ambientes que favoreçam a interação e a convivência, de modo que o espaço não apenas contenha a vida social, mas a incentive e a fortaleça.

Já Flusser considera o objeto de design um mediador da relação entre o ser humano e o mundo, capaz de facilitar ou dificultar a experiência cotidiana conforme sua concepção. Para ele, o verdadeiro design é aquele que suprime barreiras, ampliando a liberdade e a qualidade da relação do homem com o ambiente, tornando-a mais plena e significativa.

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