PESQUISA EM GRUPO - NÃO-OBJETOS E ARTISTAS CINÉTICOS
Em 1963, Hélio Oiticica iniciou a produção dos Bólides. Tratam-se de criações concebidas como caixas,
confeccionadas sobretudo em madeira ou vidro — por vezes em plástico — que
reúnem em seu interior uma diversidade de componentes, entre eles pigmentos,
terra, água, espelhos, conchas, retalhos de tecido ou papel, bem como imagens
fotográficas e textos poéticos. Esses componentes não se encontram apenas no
interior dos bólides, mas parecem instaurar uma esfera de exterioridade que
envolve a obra. Ao mesmo tempo, tais elementos constituem, eles próprios, os próprios
bólides.
Exemplos:
Rebecca Horn
Rebecca
Horn, artista alemã ligada à modernidade, constrói uma produção marcada pelo
inusitado: trabalhos abstratos que muitas vezes parecem desconcertantes,
atravessados por referências a engrenagens e máquinas. Sua escolha de temas
revela uma intuição ousada, pois frequentemente toca em questões delicadas ou até
mesmo proibidas, sobretudo no cenário cultural alemão. Sua arte não se limita a
ser observada — ela exige a presença ativa do público, conduzindo-o a
experiências corporais e sensoriais que rompem com a rotina e o arrastam para
uma dimensão própria criada pela artista.
Formada em estudos de multimídia, Horn
iniciou sua trajetória explorando performances em que o corpo e os sentidos
eram o ponto central. Para dar continuidade a essas investigações, concebeu
mecanismos e estruturas que ampliavam a relação entre organismo e objeto. Desde
suas primeiras experimentações, e ao longo de toda a sua obra, o que se vê é
uma aproximação íntima entre gesto humano, escultura e espaço. O movimento, em
suas criações, não atua apenas como efeito visual: ele mobiliza emoções e
percepções, funcionando como uma espécie de disparador sensorial. O público é
atraído por coreografias que oscilam entre a delicadeza poética e a brutalidade
ameaçadora, criando tensões entre corpo, objeto e ambiente. Assim, Rebecca Horn
converte o movimento em linguagem, transformando a escultura em experiência
viva, em acontecimento que se dá no presente.
Exemplos:
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